- Olympus News
- Posts
- Dar trabalho para a IA também dá trabalho
Dar trabalho para a IA também dá trabalho
Como estamos aprendendo a delegar para agentes sem acompanhar cada passo.
Num trabalho recente aqui na Olympus, pedi que a preparação fosse dividida em partes que podiam avançar ao mesmo tempo. No mesmo pedido, deixei uma condição: revisar o que fosse feito e validar as partes antes de juntar tudo.
Dá para olhar para isso e se animar com vários agentes trabalhando em paralelo. Eu presto mais atenção na segunda metade do pedido. A revisão já fazia parte da tarefa antes de ela começar.
Minha preocupação é conseguir voltar para uma entrega que eu possa avaliar, sem ter de acompanhar cada passo até ela ficar pronta.
Você pode ter um agente capaz de executar vários passos sozinho e ainda precisar gastar um bom tempo explicando a tarefa. Também vai precisar olhar o que voltou. Estamos aprendendo a fazer esse acompanhamento sem virar companhia permanente da máquina.
O que você precisa receber de volta?
“Faça uma análise” é um pedido fácil de escrever. Difícil é descobrir, depois de ler várias páginas, se a análise ajuda em alguma coisa.
Antes de delegar, eu quero conseguir dizer para que vou usar a entrega. Essa resposta ajuda a escolher o tamanho da tarefa e o que precisa aparecer no resultado.
Imagine um exemplo: você vende um serviço e recebe dúvidas parecidas antes da contratação. Quer preparar uma página de perguntas frequentes. Pedir ao agente para resumir as conversas pode devolver um resumo correto, mas pouco útil para escolher o que explicar na página.
Um pedido mais claro seria:
Organize estas dúvidas para eu decidir quais perguntas a página precisa responder antes da contratação. Mostre os trechos que justificam cada sugestão e separe o que ainda não sabemos responder.
Nesse exemplo, a entrega serve a uma escolha concreta. O agente pode organizar o material sem precisar perguntar a cada parágrafo se está no caminho. E você tem onde começar a revisão: as sugestões correspondem às dúvidas recebidas?
Use o contexto que já existe
Na Olympus, temos adotado como regra partir dos documentos e das decisões que já existem. Reexplicar tudo a cada pedido abre espaço para esquecer uma restrição ou contar uma versão diferente da anterior.
Você não precisa entregar a história inteira da empresa. Precisa indicar o material que muda aquela tarefa, dizer qual versão vale e explicar o que já está decidido.
No exemplo das perguntas frequentes, isso inclui a descrição atual do serviço, as condições de contratação e as dúvidas selecionadas. Uma apresentação antiga, com uma oferta que você não vende mais, pode atrapalhar mais do que ajudar.
Também vale combinar o que fazer quando as fontes não se entendem. Se um documento promete algo que outro exclui, o agente deve apontar a divergência e parar essa parte do trabalho. Se falta informação para responder uma pergunta, deve deixá-la pendente, sem preencher a lacuna com uma resposta plausível.
Dá para continuar organizando o restante enquanto aquela resposta espera. Assim, você volta para resolver um conflito específico, em vez de reler tudo tentando descobrir onde o trabalho tomou outro rumo.
Sozinho até onde?
Nossa regra é dar liberdade para preparar e pesquisar, com aprovação explícita para publicar, gastar ou fazer uma mudança delicada. Isso precisa estar claro antes da execução, inclusive quando a tarefa parece pequena.
Na tarefa das perguntas frequentes, o agente pode agrupar as dúvidas e preparar respostas. Colocar essas respostas no site já é outra ação. Alterar as condições comerciais para que a resposta fique mais simples está completamente fora do pedido.
Mas escrever “não publique” não basta. As permissões da ferramenta também precisam respeitar esse limite. Se o trabalho termina num rascunho, não há motivo para entregar acesso de publicação. Quando houver uma ação sensível, a aprovação precisa acontecer antes dela, por um controle real do sistema, não só por uma frase na conversa.
O combinado também precisa liberar o que pode seguir. Exigir autorização para cada ajuste de frase devolve toda a coordenação para você. Eu quero ser chamado quando a tarefa pede uma decisão que não foi delegada, não para escolher a ordem de dois parágrafos.
Conferir sem começar de novo
Naquele pedido, juntar as partes dependia de revisá-las e validá-las. O que quero receber nessa volta é o material produzido junto do que me permite conferir as escolhas. Numa página de perguntas frequentes, seriam os trechos das conversas e as condições atuais da oferta. Ler apenas o resumo de conclusão do agente não faria essa checagem por mim.
Essa revisão muda conforme a consequência de um erro. Um rascunho interno permite uma conferência mais leve, concentrada nas escolhas principais. Uma resposta que será enviada a clientes exige verificar cada afirmação que possa criar uma expectativa ou compromisso. Uma alteração em dados importantes pede cuidado ainda maior, inclusive ajuda de quem saiba avaliá-la.
Pedir a outro agente uma leitura crítica pode ajudar a encontrar falhas. Isso não torna a conclusão dele suficiente para aceitar a entrega. A conferência continua precisando de material verificável.
E tudo isso custa atenção. Uma instrução ambígua pode exigir outra rodada. Dois documentos podem se contradizer. Se eu preciso reconstruir a tarefa inteira para conseguir revisá-la, ainda não consegui delegar bem aquela parte. A resposta pode ser reduzir o escopo do próximo pedido, em vez de escrever mais instruções para o mesmo trabalho enorme.
O que eu realmente penso
Estamos aprendendo a aplicar essas regras sem deixar o processo mais pesado que a tarefa.
Delegar inclui preparar a própria volta.
Quero saber o que vou receber e o que vou conferir quando voltar. Dentro desse espaço, o agente pode trabalhar sem depender da minha atenção a cada passo.
Também preciso contar o tempo de preparar, acompanhar e revisar. Se uma tarefa curta exige uma explicação enorme e uma revisão igualmente longa, talvez seja melhor fazê-la direto. Ter um agente disponível não obriga você a usá-lo para tudo.
Como você avalia a newsletter de hoje?Sua resposta será utilizada para guiar os próximos conteúdos. |
Faça Login ou Inscrever-se para participar de pesquisas. |
Conteúdos recomendados
Documentação oficial do Hermes Agent: é a ferramenta da Nous Research que usamos. A documentação reúne primeiros passos, recursos e controles de acesso, para quem quiser experimentar.
Building effective agents, da Anthropic: leitura em inglês sobre começar simples, prever pontos de intervenção humana e avaliar o custo de acrescentar autonomia. Há partes técnicas; os critérios de quando usar agentes valem a leitura.
Forte abraço,
Equipe Olympus