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O Arquiteto de Agentes
O Que Muda Quando Uma Pessoa Faz o Trabalho de Um Time
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Não é uma startup. Não é um time de 20 engenheiros. É um austríaco sentado em casa, de pijama, orquestrando agentes de IA.
O nome dele é Peter Steinberger. O projeto você já deve conhecer se passou na timeline do X nos últimos dias: o Clawdbot — se tornou o repositório de crescimento mais rápido da história do GitHub.
E o Peter não escreve a maior parte do código que publica.
Ele roda 5 a 10 agentes simultaneamente. Cada um trabalhando em uma feature diferente. Enquanto um implementa, outro testa, outro refatora. Peter não coda — ele arquiteta.
E quando alguém manda um Pull Request, ele nem olha o código. Ele pede o prompt que gerou o código.
A mensagem é clara: o valor migrou de quem escreve código para quem projeta sistemas onde agentes escrevem código.
Essa edição explora o que muda quando uma pessoa opera como um time inteiro — e por que a habilidade mais valiosa de 2026 não é programar, é planejar.
1⃣️ Prompt Requests > Pull Requests
Peter cunhou um termo que captura a mudança: Prompt Requests.
Na engenharia tradicional, o Pull Request é o artefato central. Você olha o diff, revisa linha por linha, comenta, aprova. O código é o que importa.
No fluxo de Peter, o código é output. O que importa é o input: qual foi o prompt, qual era o plano, qual era a intenção.
Ele conta que no Discord do projeto, ninguém discute código. Só discutem arquitetura e decisões de design.
Por quê? Porque quando agentes escrevem o código, revisar cada linha é inviável — e desnecessário. O que precisa ser impecável é a direção.
“A maioria do código de aplicação é só transformação de dados em formatos diferentes. Não merece atenção obsessiva.” — Peter Steinberger
Isso inverte a pirâmide de habilidades:
Antes | Agora |
|---|---|
80% escrevendo código | 80% planejando e revisando |
10% planejando | 10% escrevendo código |
10% revisando | 10% arquitetando o sistema |
O engenheiro que ama resolver puzzles algorítmicos? Está tendo dificuldade com essa transição. Quem ama entregar produto? Está voando.
2⃣️ O Paradoxo do Planejamento
Se agentes escrevem código rápido, por que Peter gasta mais tempo planejando do que antes?
A resposta está num insight do Kieran Klaassen, que lidera o Cora na Every:
“IA nos fez desleixados porque nos fez esquecer como planejar.”
Kieran tinha 5 telas de Figma para implementar num fim de semana. O instinto era mandar o agente implementar direto. Mas ele fez o oposto: gastou 1 hora criando um agente só para planejar.
O agente analisava o screenshot do Figma, pesquisava os padrões do codebase, identificava componentes existentes, e gerava um plano detalhado.
Resultado: 5 telas pixel-perfect, incluindo layouts mobile que nem estavam no design original. Em um fim de semana.
A lição é contraintuitiva: quanto mais rápido o agente executa, mais valioso é o tempo que você investe planejando.
Kieran criou um framework de 3 Fidelidades para decidir quando planejar:
Fidelidade 1 — Quick Fix
Mudanças óbvias: bug evidente, typo, ajuste de cor. O agente resolve sem plano. Com modelos melhores, essa categoria cresce — hoje inclui reorganizar código, atualizar dependências, resolver comentários de PR.
Fidelidade 2 — O Sweet Spot ⭐
Features que cruzam múltiplos arquivos, exigem refatoração, têm escopo claro mas implementação não-óbvia. Aqui o planejamento gera ROI máximo. Complexo o suficiente pra IA errar sem guia. Simples o suficiente pra executar bem com plano.
Fidelidade 3 — Terra Incógnita
Projetos onde nem você sabe exatamente o que quer. Aqui, planejamento excessivo é desperdício. Melhor prototipar rápido e iterar.
A maioria do trabalho real está na Fidelidade 2. E é justamente onde a maioria das pessoas não planeja — porque parece “rápido o suficiente para mandar direto”.
O resultado? Horas debugando algo que 10 minutos de planejamento teriam evitado.
3⃣️ Compound Engineering: O Efeito Bola de Neve
Existe uma diferença sutil entre planejar para esta tarefa e planejar para todas as tarefas futuras.
Kieran chama isso de Compound Engineering: construir sistemas onde cada unidade de trabalho torna a próxima mais fácil.
O segredo está em como você documenta o plano.
Quando você pede para o agente “implementar feature X”, ele implementa e vai embora. Resultado: um diff no repositório.
Quando você pede para o agente “pesquisar como fazemos isso no codebase, analisar 3 abordagens com tradeoffs, e criar um plano”, algo diferente acontece:
O plano documenta como o time pensa
O agente aprende padrões do projeto
Na próxima tarefa similar, o agente já sabe o caminho
Código resolve problemas. Planos ensinam o sistema.
Peter faz isso instintivamente. Ele gasta um tempo surpreendente indo e voltando com o agente para refinar o plano. Desafia a abordagem. Puxa alternativas. Só quando está satisfeito, dispara a execução — e parte para o próximo plano.
É como um arquiteto que não coloca tijolo, mas garante que cada parede sustenta as próximas.
4⃣️ Por Dentro do Motor: Como Agentes de Código Realmente Funcionam
Para entender por que planejamento importa tanto, ajuda entender o que acontece por baixo do capô.
O Cursor — a IDE mais usada para coding com IA — revelou a arquitetura do seu agente, o Composer. Não é um chatbot com acesso a arquivos. É um sistema com 6 componentes:
🔀 Router — Analisa cada pedido e escolhe o modelo certo. Tarefas simples vão para modelos rápidos. Tarefas complexas vão para modelos pesados.
🧠 LLM (Modelo Agêntico) — O cérebro. Não é um LLM comum — foi treinado em trajetórias: sequências de ações que mostram como e quando usar ferramentas para resolver problemas.
🔧 Tools — Mais de 10 ferramentas: buscar no código, ler arquivos, editar, rodar comandos no terminal. O agente age no mundo real.
📚 Context Retrieval — Codebases reais são grandes demais para caber num prompt. Esse sistema busca os trechos mais relevantes para cada passo.
🎭 Orchestrator — O loop de controle. Modelo decide o próximo passo → orquestrador executa → coleta resultado → devolve ao modelo. Repete até resolver.
🔒 Sandbox — Ambiente isolado onde o agente roda builds e testes sem risco de quebrar sua máquina.
Três desafios de produção que explicam por que agentes às vezes falham:
O Problema do Diff
Quando o agente precisa editar código existente (não criar do zero), ele precisa localizar as linhas certas, preservar indentação, e gerar um diff válido. Se erra um número de linha ou desalinha a formatação, o patch quebra. Em produção, uma edição incorreta é pior que nenhuma edição.
A solução do Cursor: treinar o modelo com volume massivo de exemplos de edição — especialmente search-and-replace — para que a mecânica de editar fique gravada nos pesos do modelo.
Latência Composta
Uma tarefa pode exigir o agente planejar, buscar, editar, e testar em muitas iterações. Se cada passo leva alguns segundos, o tempo total explode.
Três técnicas que o Cursor usa:
Mixture of Experts (MoE) — Nem todo token passa por todas as camadas. O modelo ativa só os “especialistas” relevantes.
Speculative Decoding — Um modelo menor propõe tokens, o maior verifica. Como código tem estrutura previsível, muitos tokens são aceitos em bloco.
Context Compaction — Resumir o estado de trabalho entre passos. Logs antigos, stack traces repetidos, diffs obsoletos — tudo comprimido para manter o prompt enxuto.
5⃣️ O Novo Perfil: O Arquiteto de Agentes
Peter não é programador no sentido tradicional. Ele é algo novo: um arquiteto de agentes.
O que isso significa na prática?
Ele mantém a estrutura do projeto inteiro na cabeça. Não o código — a arquitetura. Quais módulos existem, como se conectam, onde está a complexidade, onde está o débito técnico.
Ele projeta para extensibilidade. Uma das razões do Clawdbot crescer tão rápido é que é fácil adicionar novas capacidades. Isso não é acidente — Peter gasta energia significativa garantindo que a arquitetura permita isso.
Ele é o “ditador benevolente”. Garante que o projeto siga uma direção e estilo consistentes, mesmo com dezenas de contribuidores e agentes gerando código.
Ele prefere ferramentas que não interrompem. Peter usa Codex ao invés de Claude Code para tarefas longas, justamente porque o Codex roda em background sem pedir confirmações. Claude Code volta perguntando — o que quebra o flow quando você está gerenciando vários agentes.
Ele roda CI local, não remoto. Por quê? Porque esperar 10 minutos por um pipeline remoto é inaceitável quando você tem agentes que podem rodar os testes localmente em segundos.
A combinação dessas práticas cria algo que parece impossível: uma pessoa operando na velocidade de um time.
Mas não é mágica. É design de sistema aplicado ao próprio fluxo de trabalho.
6⃣️ As 3 Lições Para Quem Constrói Software Hoje
Olhando para Peter, Kieran, e a engenharia por trás do Cursor, três padrões emergem:
1. Use de ferramentas tem que estar nos ossos do modelo
Fazer prompt engineering para que o agente use ferramentas corretamente não é suficiente para loops longos. O modelo precisa ter aprendido como e quando usar cada ferramenta durante o treinamento. A implicação: escolha modelos treinados para agir, não só conversar.
2. Velocidade é feature de produto
Latência não é só métrica de infra — ela define se as pessoas confiam e usam o agente no dia a dia. Uma edição que demora 30 segundos é usável. Uma que demora 3 minutos é abandonada. Rotear tarefas simples para modelos rápidos enquanto reserva modelos pesados para planejamento complexo transforma responsividade em vantagem competitiva.
3. Adoção é a métrica definitiva
Benchmarks de laboratório são úteis, mas um agente de código vive ou morre pela confiança do usuário. Uma única edição arriscada ou build quebrado pode fazer o usuário abandonar a ferramenta. Avaliação tem que refletir uso real e aceitação humana — não scores em datasets.
🔮 O Shift Mental
A pergunta não é mais “como escrevo código melhor?”
É “como projeto sistemas onde agentes escrevem código melhor?”
Peter Steinberger não é produtivo porque é um programador excepcional. Ele é produtivo porque é um designer de sistemas excepcional — e hoje, o sistema inclui agentes.
O Clawdbot não cresceu porque o código é brilhante. Cresceu porque a arquitetura é brilhante — extensível, modular, projetada para que qualquer pessoa (ou agente) possa adicionar capacidades.
E o framework do Kieran mostra o caminho: pare de codificar e comece a planejar. Não porque planejar é mais nobre, mas porque cada plano ensina o sistema, e código resolve só um problema.
A engenharia de software não morreu com IA. Ela subiu de nível. O trabalho migrou de implementação para arquitetura, de execução para orquestração, de escrever para projetar.
O melhor código de 2026 não será escrito por humanos. Será projetado por eles.
🚀 Sua missão para os próximos 7 dias
Teste o fluxo “plano primeiro”: Na próxima feature que for implementar, gaste 15 minutos pedindo ao agente para pesquisar o codebase, propor 2-3 abordagens com tradeoffs, e criar um plano antes de escrever uma linha. Compare com seu fluxo normal.
Identifique sua Fidelidade 2: Liste as 3 tarefas do seu backlog que cruzam múltiplos arquivos e têm implementação não-óbvia. Essas são as que mais se beneficiam de planejamento com IA.
Faça um “Prompt Request”: Na próxima vez que alguém do time mandar um PR, peça para ver o prompt que gerou o código. Discuta a intenção, não o diff.
📚 Conteúdos Recomendados
🎧 Podcast: The creator of Clawd: “I ship code I don’t read” — The Pragmatic Engineer — Entrevista completa com Peter Steinberger sobre como opera como um time de uma pessoa.
📄 Artigo: Stop Coding and Start Planning — Every — O framework de 3 Fidelidades e como compound engineering transforma cada plano em investimento.
📄 Artigo: How Cursor Shipped its Coding Agent to Production — ByteByteGo — Deep dive técnico na arquitetura do Composer: MoE, speculative decoding, e sandboxing em escala.
Forte abraço,
Equipe Olympus

