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O Fitness do Seu Produto: Por Que Software Precisa de Academia

Estabilidade, Cadência e Adaptabilidade: o framework de condicionamento que transforma como você constrói software

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Quando eu tinha 14 anos, comecei a treinar sério pela primeira vez. Meu corpo reagiu como esperado: dor em cada músculo, dificuldade pra escovar os dentes, aquela sensação de que qualquer movimento era punição.

Mas era uma dor boa. O tipo de desconforto que sinaliza crescimento.

Anos depois, percebi que software funciona igual. Cada produto que construímos é um organismo que precisa de condicionamento — força pra aguentar pressão, resistência pra manter o ritmo, flexibilidade pra se adaptar quando tudo muda.

O problema é que a maioria dos times trata software como se fosse estático.

Planejam features, entregam, seguem pro próximo item do backlog. Mas não pensam no condicionamento do produto. Não perguntam: "Essa parte do sistema tá em forma? Aguenta o que vem pela frente?"

Drew Barontini, que construiu produtos por mais de uma década, desenvolveu um framework que traduz princípios de condicionamento físico para software. E a analogia é assustadoramente precisa.

Essa edição explora como pensar no seu produto como um corpo que precisa de treino — e por que isso muda completamente como você planeja, prioriza e entrega.

1️⃣ A Academia do Software

Drew passou anos experimentando diferentes tipos de exercício: musculação, HIIT, corrida, yoga, Pilates, boxe.

Em algum momento, ele se perguntou: "Qual é a fundação essencial do condicionamento físico?"

A resposta: três pilares.

  • Força — para construir músculo e ter uma base sólida para movimentos funcionais.

  • Resistência — para melhorar o ritmo cardíaco e sustentar diferentes intensidades.

  • Mobilidade — para manter articulações flexíveis e se adaptar ao envelhecimento.

Aqui adicionaria também

Se você ignora qualquer um desses pilares, cria fragilidade. O cara que só levanta peso e ignora cardio? Tem músculos, mas cansa subindo escada. A pessoa que só corre e nunca alonga? Uma lesão esperando pra acontecer.

Software é igual. Drew traduziu os três pilares:

Fitness

Software

Força

Estabilidade

Resistência

Cadência

Mobilidade

Adaptabilidade

O framework se chama Product Conditioning. E quando você olha pro seu produto por essa lente, percebe onde estão os músculos atrofiados.

2️⃣ Estabilidade: O Core do Produto

Estabilidade não é ausência de bugs. Todo software tem bugs. Estabilidade é ter uma superfície sólida pra empurrar contra.

Um produto estável tem:

  • Interfaces claras que não fazem o usuário adivinhar

  • Integrações confiáveis com sistemas externos

  • Comportamento previsível sob condições normais e estressadas

Mas estabilidade não é só do produto — é do time e do sistema também.

Time estável: Todo mundo sabe seu papel. Quando alguém sai de férias, o resto assume sem drama. Conhecimento de domínio é distribuído, não concentrado numa pessoa.

Sistema estável: Existe uma forma clara de tomar decisões, rastrear trabalho e reavaliar prioridades sem caos.

Drew conta que os melhores times que ele liderou tratam todo problema como deles. Não existe "isso é problema do fulano". Se está no produto, é responsabilidade coletiva.

"Times que pensam assim aguentam qualquer coisa."

Princípios de Estabilidade

  1. Clareza > Esperteza. Estrutura clara sempre supera atalhos engenhosos.

  2. Confiabilidade > Heroísmo. Times estáveis não dependem de heróis salvando o dia.

  3. Durabilidade > Rigidez. Como bambu: dobra sob pressão sem quebrar.

3️⃣ Cadência: O Ritmo Certo

Uma vez que estabilidade existe, surge a cadência — o ritmo de mudança.

Seguindo a analogia do exercício, pense em como funcionam as diferentes modalidades de corrida:

  • 5km: ritmo constante do início ao fim.

  • Maratona: planejamento estratégico, alterações de cadência ao longo do percurso.

Software funciona igual. Produtos no início aprendem rápido, entregam pequeno, ajustam constantemente. Produtos maduros mudam com mais deliberação, protegem valor existente, otimizam mais do que reinventam.

O erro mais comum? Adotar uma cadência sem considerar se ela combina com o produto.

Sprints de duas semanas funcionaram em outra empresa? Ótimo. Não significa que funcionam pra você. Ciclos de seis semanas são a moda do momento? Pode ser perfeito — ou pode ser lento demais pro que você precisa aprender.

"Contexto importa."

⚠️ Sinais de Cadência Errada

Rápido demais: Você entrega trabalho que desestabiliza o produto. Bugs aparecem mais rápido que consertos.

Lento demais: O produto estagna. Usuários reclamam que nada muda. Competidores passam na frente.

O ponto ideal é diferente pra cada time. Você precisa sentir quando está forçando demais ou segurando demais.

4️⃣ Adaptabilidade: Flexibilidade Estratégica

Adaptabilidade é o resultado de ter estabilidade + cadência funcionando.

Sem estabilidade, adaptação vira caos. Sem cadência, adaptação vira ruído.

  • Produto adaptável: Consegue mudar áreas-chave sem quebrar outras. Evolui sem reescritas constantes. Muda de direção sem perder a confiança do usuário.

  • Time adaptável: Percebe quando suposições não são mais válidas. Muda de foco sem culpa ou defensividade. Trata mudança como informação, não como falha.

Drew compartilha um exemplo: seu time precisou focar em mudanças no funil de conversão. Em vez da cerimônia usual de planejamento, ele simplesmente priorizou issues no Linear pra um engenheiro. O engenheiro terminou seu projeto e entregou uma série de experimentos pequenos.

"Isso é adaptabilidade."

Nem toda demanda exige a completude do processo e ter o discernimento de perceber a diferença chama-se de maturidade dos processos de gestão do produto.

O Paradoxo da Rigidez

Times que tentam controlar demais o processo perdem o flow natural. Sistemas rígidos protegem o processo e ignoram o valor.

A resposta não é abandonar processo — é criar “folga” intencional. Espaço pra revisar trabalho, checar suposições, captar sinais que indicam necessidade de reajuste.

🗺️ Condicionamento diz como o produto muda. Mas você também precisa saber onde ele vive.

É aí que entra o Product Landscape. A ideia é visualizar seu produto como um espaço físico que você pode caminhar.

A inspiração vem de uma técnica de memorização chamada Memory Palace — a mesma que o Sherlock Holmes usa na ficção. Humanos lembram melhor de informações complexas quando elas estão organizadas em um espaço físico que podem percorrer mentalmente.

Seu produto é esse espaço.

Imagine-o como uma casa. Você entra pela porta (onboarding), passa pela sala (dashboard), vai até a cozinha (onde o trabalho acontece), sobe pro quarto (configurações pessoais). Cada área tem características, problemas e necessidades diferentes.

Regiões: Os Cômodos

Regiões são os cômodos principais do seu produto. Em um SaaS típico:

  • Autenticação — login, signup, recuperação de senha, SSO

  • Onboarding — primeiro uso, tutoriais, configuração inicial

  • Core — onde o usuário faz o trabalho principal

  • Perfil/Conta — configurações pessoais, billing, preferências

  • Admin — gestão de time, permissões, relatórios

  • Integrações — conexões com outros sistemas

Cada região precisa de três coisas:

Um guardião. Alguém do time que cuida da coerência daquela área ao longo do tempo. Não é um "dono" que bloqueia — é um jardineiro que observa, percebe quando algo está fora do lugar, e advoga por atenção quando necessário.

Uma prioridade. Nem toda região é igual:

  • Core — onde usuários passam 80% do tempo. Prioridade máxima.

  • Suporte — crítico, mas secundário. Autenticação precisa funcionar, mas não é onde o valor acontece.

  • Periferia — usado raramente. Admin avançado, exportações, configurações obscuras.

Uma carga. O estado atual de pressão:

  • Baixa — estável, poucos bugs, pouca mudança

  • Moderada — ativo mas sob controle

  • Alta — pressão sustentada, backlog crescendo

  • Crítica — quebrando, precisando intervenção urgente

Zonas: As Áreas Dentro dos Cômodos

Zonas são subdivisões dentro de cada região. O quarto é uma região; o banheiro dentro do quarto é uma zona.

No contexto de software, a região Autenticação pode ter zonas como:

  • Login tradicional (email/senha)

  • Login social (Google, Apple)

  • Recuperação de senha

  • Two-factor authentication

  • SSO empresarial

Cada zona tem características próprias:

Função — qual o papel dessa zona? Login social existe pra reduzir fricção. SSO existe pra atender enterprise.

Complexidade — quão difícil é mexer aqui? SSO é notoriamente complexo. Login tradicional é mais simples.

Dinâmica — como essa zona muda ao longo do tempo?

  • Cumulativa — mudanças se acumulam e são difíceis de reverter (schemas de banco)

  • Volátil — pequenas mudanças causam grandes efeitos (algoritmos de recomendação)

  • Frágil — erros são custosos e recuperação é dolorosa (billing, pagamentos)

  • Estabilizadora — mudanças reduzem complexidade futura (observabilidade, tooling interno)

Contexto: Quando e Pra Quem

Contexto descreve as condições que mudam como uma região ou zona se comporta.

  • Surface (onde): Web, mobile, API, widget embedado. A mesma feature pode funcionar perfeitamente no desktop e quebrar no mobile.

  • State (quem): Usuário anônimo, trial, pagante, enterprise. Um usuário novo precisa de mão na mão. Um power user quer atalhos.

  • Mode (por quê): Exploração (descobrindo o produto), execução (fazendo o trabalho), avaliação (decidindo se vale a pena). Cada modo exige uma experiência diferente.

O Poder da Linguagem

Digamos que você recebe um bug report: "O chat tá bugado."

Sem vocabulário compartilhado, isso pode significar qualquer coisa. O time vai gastar tempo só pra entender o problema.

Com Product Landscape, a descrição vira:

"A geração de resposta do assistente está falhando para usuários anônimos no mobile quando a sessão passa de 5 minutos."

  • Região: Assistente (o chat de IA)

  • Zona: Geração de resposta

  • Contexto: Anônimo + Mobile + Sessão longa

Agora todo mundo sabe exatamente onde olhar.

Linguagem precisa elimina ambiguidade. E ambiguidade é onde tempo morre.

6️⃣ Juntando Tudo: O Sistema Completo

Product Conditioning + Product Landscape formam um sistema completo:

  • Landscape te diz onde focar.

  • Conditioning te diz como trabalhar.

Na prática:

  1. Mapeie suas regiões e zonas. Comece pequeno — 3-5 regiões principais. Expanda conforme aprende.

  2. Avalie a carga de cada área. Onde está acumulando pressão? Qual zona está em estado crítico?

  3. Aplique os três pilares. Essa área precisa de mais estabilidade? O time tá no ritmo certo? Existe flexibilidade pra mudar se necessário?

  4. Crie vocabulário compartilhado. Use labels no Linear/Jira. Documente no roadmap. Faça walkthroughs do produto usando a linguagem.

"Melhores inputs criam melhores outputs. E contexto unifica o todo."

🔮 O Shift Mental

A maioria dos times pensa em software como lista de features pra entregar.

O shift é pensar em software como organismo vivo que precisa de condicionamento.

Você não constrói um corpo forte fazendo exercícios aleatórios. Você treina com intenção: força, resistência, mobilidade. Você descansa. Você ajusta a intensidade. Você respeita o processo.

Software é igual.

Estabilidade constrói a fundação.

Cadência estabelece o ritmo sustentável.

Adaptabilidade permite reagir ao inesperado.

E o Landscape te dá o mapa pra saber onde aplicar cada um.

Times que pensam assim não são ameaçados por novas tecnologias ou novos competidores. Eles são construídos pra mudança.

O maior erro é assumir um mundo fixo e rígido. Software não funciona assim. Nunca funcionou.

Condicione seu produto. Mapeie seu território. Treine pra mudança.

🚀 Sua missão para os próximos 7 dias

  1. Desenhe o mapa do seu produto. Liste 3-5 regiões principais. Pra cada uma, identifique 2-3 zonas. Não precisa ser perfeito — comece e refine.

  2. Avalie a carga atual. Qual região está sob mais pressão? Qual zona está em estado crítico? Marque no mapa.

  3. Faça o diagnóstico de condicionamento. Pro seu produto: Estabilidade tá ok? Cadência tá sustentável? Time consegue se adaptar quando precisa? Identifique o pilar mais fraco e foque nele.

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📚 Conteúdos Recomendados

📄 Artigo: Issue #74: Product Conditioning — Drew Barontini — O framework completo de condicionamento de produto: Stability, Cadence, Adaptability aplicados a times e sistemas.

📄 Artigo: Issue #73: Product Landscape — Drew Barontini — Como visualizar seu produto como espaço físico com Regions, Zones e Contexts para comunicação precisa.

Forte abraço,

Equipe Olympus