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O negócio de IA mais lucrativo de 2027 não é software
Dan Koe aposta no diretor criativo de uma pessoa só. E isso incomoda quem constrói produto.

Quatro horas por dia em vez de doze.
Foi assim que alguém de uma agência de conteúdo descreveu a rotina de hoje, numa fala que Dan Koe reproduz parafraseada. A IA pesquisa o que está performando, entende a estratégia e entrega rascunhos "quase lá". O trabalho virou revisar e reescrever.
Dan Koe é criador, fundador da Eden (uma ferramenta de conteúdo para criadores e agências) e publicou no dia 3 de novembro um artigo longo no X com uma tese direta: o negócio mais lucrativo para uma pessoa começar com IA não é um software. É capturar atenção.
Para quem vive de construir produto, como a gente, uma das primeiras frases do artigo dói: se o seu objetivo é ganhar dinheiro, não importa quão bom é o software que você constrói. Se ninguém sabe que ele existe, ninguém paga.
Ninguém paga pelo que não vê
O argumento de Koe começa pelos números. Conferi as fontes:
O Goldman Sachs estimou em 2023 que a economia dos criadores poderia quase dobrar, de US$ 250 bilhões para US$ 480 bilhões até 2027.
A WPP Media estimou que, em 2025, os criadores receberiam cerca de US$ 185 bilhões em anúncios, parcerias e patrocínios, e que o conteúdo deles atrairia pela primeira vez mais publicidade que o da mídia tradicional (TV, áudio, impresso e cinema).
Nos Estados Unidos, o IAB registra que as marcas investiram US$ 13,9 bilhões em criadores em 2021 e projeta cerca de US$ 44 bilhões em 2026. Mais de três vezes.
A direção é clara: a atenção saiu da TV e foi para o feed.
Por isso startups falam em founder-led marketing: o fundador precisa postar. E, segundo Koe, a maioria posta mal: só comunicados, sem saber o que constrói influência.
A equipe criativa de uma pessoa só
Koe vê dois caminhos:
Ser a sua própria equipe criativa. Marca pessoal, audiência, lista de e-mail, produtos digitais. Ele avisa que é trabalho de tempo integral, mesmo com IA.
Ser a equipe criativa de outra pessoa. Fundadores, empresas e até criadores que não têm tempo nem cabeça para produzir conteúdo insubstituível.
Nos dois casos, o papel é o de diretor criativo, que acumula três funções:
Estrategista de marca: cuida de posicionamento e percepção. Crescer não pode custar confiança.
Estrategista de conteúdo: estuda o que performa (formatos, títulos, retenção). Sozinho, faz a conta crescer, mas, se o criador parar de postar, ninguém pergunta onde ele foi.
Redator: transforma ideias e direção em posts, roteiros e newsletters.
Quase ninguém pensa em estratégia de marca. Alguns pensam em estratégia de conteúdo. A maioria transforma ideias soltas em posts e torce para dar certo.
Essa é a concorrência, diz Koe. Não é difícil se destacar.
Koe estima que um diretor criativo bom pode faturar de US$ 10 mil a US$ 75 mil por mês com um a três clientes. É estimativa dele, em dólar, e faturamento não é lucro. Ele mesmo avisa: não é enriquecimento rápido.
O método em três passos
A parte mais útil do artigo é o processo de entrada de um cliente. Serve também para a sua própria marca.
1. A assinatura intelectual. Uma entrevista gravada, com a transcrição guardada para a IA consultar depois. Koe propõe nove blocos de perguntas: quem você ajuda, sua história, quem formou seu pensamento, seus pilares, sua missão, aquilo contra o que você luta, por que isso importa agora, aonde você leva o leitor e as palavras que só você usa. Algumas que eu não pularia:
Quem você mais quer ajudar? Descreva uma pessoa real. O que ela diz quando reclama com um amigo? Use as palavras exatas dela.
No que você acredita que a maioria do seu mercado não acredita?
O que acabou de mudar no mundo que pouca gente percebeu?
É material para 6 a 12 meses, não para um post.
2. O banco de referências. Koe reconhece que a IA não replica uma voz pessoal; sempre falta alguma coisa. O objetivo é outro: montar uma base com tudo o que torna a pessoa única. Se ela já publica, reúna os melhores posts. Se não, liste de 5 a 10 pessoas que mais influenciaram seu pensamento e peça à IA para extrair as ideias centrais delas. Suas melhores ideias são a sua interpretação das ideias que você adotou.
3. O mapa de conteúdo. Com os dois documentos prontos, Koe pede um mapa: 3 a 4 pilares, cada um com 5 a 7 temas, cada tema com 5 a 10 ideias, e ângulos para cada ideia, cruzando o que é seu com o que tem funcionado nos últimos 6 a 12 meses. Adaptei o prompt dele assim:
Leia meu documento de marca e meu documento de referências. Proponha 3 pilares de conteúdo que só eu poderia defender. Para cada pilar, liste 5 temas e, para cada tema, 3 ideias de post com o ângulo que me diferencia. Indique quais formatos e temas parecidos têm funcionado no meu nicho.
Koe trata essa pesquisa como a coleção de referências de qualquer artista: aprender padrões, não copiar. Ele usa a Eden, a ferramenta dele. Com outra IA, confira você mesmo os dados do nicho: sem eles, ela inventa o que "funciona".
Como conseguir o primeiro cliente
Anos atrás, JK Molina mandou uma mensagem para Koe, mais ou menos assim: "Sei que você não quer ninguém escrevendo por você, mas escrevi dez posts mesmo assim. Se gostar, me deixa escrever mais. Ou só me dá um depoimento."
Koe chama isso de aprendiz sem permissão: você faz um trabalho de graça para o cliente dos sonhos e coloca na frente dele. Ele sugere dez mensagens dessas por dia. Ou faz em público. Koe cita um reel cujo autor se candidatou a diretor criativo de Grant Cardone dizendo que o conteúdo dele estava "travado em 2016". Cardone respondeu: "Me chama, estou travado."
O que eu realmente penso
A Olympus segue a Estratégia Barbell: os serviços dão estabilidade, os produtos próprios são a aposta. E o acompanhamento dos nossos objetivos mostra que o desafio central não está nos serviços. Está em monetizar os produtos próprios. Desconfio que boa parte disso seja atenção. Conteúdo é uma área ativa da empresa, e esta newsletter faz parte dela.
Concordo com Koe no ponto central. Sem estratégia de marca, conteúdo vira volume, e volume com IA ficou barato demais para diferenciar alguém.
Discordo em dois pontos.
Primeiro, no ritmo. Ele mesmo admite que ser a própria equipe criativa é trabalho de tempo integral. Para uma calm company, que protege tempo e atenção de quem trabalha nela, um canal que exige tempo integral vira outra fonte de pressa. Eu prefiro uma cadência que caiba na semana a um calendário heroico que não passa do primeiro trimestre.
Segundo, no volume da prospecção. Dez mensagens por dia com amostras de graça pode até funcionar, mas trata o cliente como alvo. Eu faria menos e melhor: escolheria poucos clientes que realmente gostaria de atender e entregaria uma amostra mostrando que entendi o negócio deles, não só o feed.
E a frase que guardo do artigo é a da agência: a IA chega ao "quase lá". O resto ainda é critério humano.
Sua missão para os próximos 7 dias
Monte a primeira versão da sua assinatura intelectual nesta semana.
Responda às três perguntas acima por escrito, num único documento.
Liste cinco pessoas que formaram seu pensamento. Peça à IA as ideias centrais de cada uma e marque as duas que você mais repete.
Rode o prompt do mapa de conteúdo com os dois documentos e publique um post a partir de uma das ideias. Um só, com o seu ângulo.
Conteúdos recomendados
Dan Koe: The most lucrative AI business to start in 2027. O artigo que originou esta edição, com as nove perguntas e os prompts originais. Em inglês, no X; pode exigir login. Inclui promoção da ferramenta e do workshop do autor.
IAB: 2025 Creator Economy Ad Spend & Strategy Report. Quanto as marcas americanas investem em criadores e o que mais as trava, como medir resultado e escolher parceiros. Em inglês; relatório completo em PDF.
Forte abraço,
Equipe Olympus