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Quem Ainda Escreve Código?
E Quem Ainda Escolhe o Jantar?
There’s more to AI than ChatGPT.
If you’re only using AI to rewrite emails, you’re doing it wrong.
The AI for Business & Finance Certificate from Columbia Business School Exec Ed breaks down how to use AI to make faster, more strategic decisions at work.
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Acima temos o anunciante da News dessa semana 🚀 Se puder, clique no link do anunciante acima para deixar seu apoio (é grátis!) ❤️Na semana passada, o Spotify soltou uma bomba num earnings call que deveria ter sido rotineiro.
Gustav Söderström, co-CEO da empresa, disse — com a naturalidade de quem comenta o tempo — que os melhores engenheiros da empresa não escrevem uma linha de código desde dezembro.
Dezembro. Dois meses. Nenhuma linha.
Eles usam um modelo interno chamado Honk, construído sobre o Claude Code da Anthropic. Os devs pedem features e correções pelo Slack. A AI entrega builds atualizadas quase em tempo real. O engenheiro revisa, aprova, segue pro próximo problema.
O Spotify entregou mais de 50 updates de produto em 2025. E em 2026, seus melhores programadores viraram curadores de código. Não escritores.
Quando li isso, pensei duas coisas:
Primeiro: isso é real. Estamos vivendo isso. Na Olmps, o fluxo de trabalho já mudou — agentes de AI fazem boa parte do trabalho pesado. Não é teoria, é terça-feira.
Segundo — e essa é a parte que me tirou o sono: se a gente delega o código, o que mais a gente delega sem perceber?
1️⃣ A Semana em que Todo Mundo Parou de Codar
O Spotify não está sozinho. Essa semana foi um festival de sinais convergentes.
A OpenAI lançou o GPT-5.3-Codex-Spark — o primeiro modelo deles rodando em chips da Cerebras em vez de Nvidia. Mais de 1.000 tokens por segundo. Código em tempo real, como se o modelo estivesse digitando junto com você.
Detalhe: "GPT-5.3-Codex is our first model that was instrumental in creating itself." O modelo ajudou a melhorar seu próprio pipeline de treinamento. Sugeriu mudanças que seus criadores humanos não tinham pensado.
O Google atualizou o Gemini 3 Deep Think — seu modo de raciocínio especializado — e agora afirma ter o modelo mais poderoso do mundo. Medalha de ouro em olimpíadas de física e química. Resolve problemas de PhD. Transforma rascunhos em mão em arquivos 3D.
E os fundadores do You.com publicaram 35 previsões pra 2026. Uma delas: "Traditional coding will be gone by December."
Dezembro de 2026. Dez meses.
Exagero? Talvez. Mas quando o Spotify, a OpenAI e o Google estão todos dizendo a mesma coisa na mesma semana... vale prestar atenção.
2️⃣ O Novo Trabalho do Engenheiro
Se o engenheiro não escreve código, o que ele faz?
Essa é a pergunta errada. A pergunta certa é: o que sempre foi o trabalho de verdade?
Código nunca foi o produto. Código é o meio. O produto é a decisão — o que construir, por que construir, como resolver o problema do usuário de um jeito que faça sentido.
O engenheiro do Spotify em 2026 não digita menos. Ele decide mais. Avalia outputs. Escolhe entre abordagens. Entende o contexto que nenhum modelo consegue captar sozinho: a política interna do time, a dívida técnica que não aparece em nenhum ticket, o motivo real pelo qual aquela feature existe.
Context engineering — o conceito que exploramos em edições anteriores — não é mais uma técnica avançada. É o trabalho inteiro.
Quem entende o contexto, direciona a AI. Quem não entende, é direcionado por ela.
3️⃣ A Fábula de 2058
Um escritor chamado John Rush publicou essa semana uma ficção longa: "I'm from 2058. The AI Didn't Destroy Us. It Did Something Worse."
É ficção. Mas é o tipo de ficção que incomoda porque os primeiros capítulos são indistinguíveis do que já está acontecendo.
A história começa em 2022 com o ChatGPT. Passa por 2025, quando modelos como o Claude Opus 4.5 resolvem bugs que travavam engenheiros seniores por semanas. Em 2027, o protagonista demite toda a equipe de engenharia — receita subindo 400%, produto nunca esteve melhor.
Depois vem a parte que ficou na minha cabeça:
"As pessoas não perderam os empregos. Elas abriram mão das decisões. Alegremente."
Na ficção, em 2029 a maioria das pessoas tinha uma AI escolhendo o que comer, o que assistir, quando dormir, o que responder nas mensagens. Cada escolha delegada tornava a próxima mais fácil de delegar. Porque decidir é cansativo. E a AI sempre acertava.
"Todo restaurante que ela escolhia era perfeito. Todo voo era a melhor oferta. Todo filme era um que eu amava. A máquina me conhecia melhor do que eu me conhecia."
É ficção. Mas olha pro seu celular. Quantas decisões você tomou hoje que foram sugeridas e/ou diretamente influenciadas por um algoritmo? Aqui não estamos falando de LLM, só o que é sugerido para seu feed.
4️⃣ A Linha Invisível
Existe uma diferença entre delegar execução e delegar decisão.
Delegar a escrita de código pra uma AI é delegar execução. Você ainda sabe o que quer, por que quer, e avalia se ficou bom. Você é o arquiteto. A AI é a construtora.
Delegar a escolha do que construir — ou pior, do que importa — é outra coisa.
Na Olmps, usamos agentes de AI pra acelerar desenvolvimento, gerar relatórios, processar dados. Mas toda decisão de produto, toda priorização, toda conversa difícil com cliente... isso continua sendo humano. Porque é aí que mora o valor.
O risco não é a AI ficar inteligente demais. É a gente ficar confortável demais.
Quando você para de escolher o restaurante, você para de saber o que gosta.
Quando você para de escrever código, precisa ter certeza de que ainda sabe por que aquele código existe.
Quando você para de tomar decisões pequenas, perde o músculo pra tomar as grandes.
Autonomia é um músculo. Use ou perca.
5️⃣ Pokémon e a Humildade da Máquina
Pra não ficar tudo filosófico demais, uma notícia dessa semana que me fez rir:
Google, OpenAI e Anthropic estão competindo — ao vivo, no Twitch — pra ver qual AI joga melhor Pokémon.
Sim. Pokémon. O jogo de Game Boy de 1996.
O Gemini terminou Pokémon Blue em 406 horas. O GPT também zerou. O Claude tá com 500+ horas em Pokémon Red e ainda lutando.
Esses mesmos modelos passam na prova da OAB, resolvem problemas de doutorado e escrevem código de produção. Mas um jogo que qualquer criança de 10 anos termina num fim de semana? Aí complica.
O motivo é fascinante: Pokémon exige planejamento sustentado ao longo de centenas de horas. Gerenciamento de recursos. Recuperação de erros. Não é uma resposta certa numa prova — é uma jornada.
É exatamente o tipo de coisa que humanos fazem bem e máquinas ainda tropeçam. Navegar incerteza prolongada. Manter contexto por longos períodos. Adaptar sem reescrever tudo.
Talvez o benchmark mais honesto de inteligência não seja resolver equações diferenciais. Seja conseguir escolher o starter certo e não perder pra Brock na segunda tentativa.
6️⃣ A Corrida dos Bilhões
Enquanto isso, o pano de fundo:
A Anthropic levantou $30 bilhões numa rodada Series G. Valuation de $380 bilhões. Em outubro era $183 bilhões. Dobrou em quatro meses.
A ByteDance lançou o Seedance 2.0 — um modelo de geração de vídeo que está quebrando a internet. Vídeos tão realistas que a Motion Picture Association já protestou depois que clipes deepfake de Tom Cruise e Brad Pitt viralizaram.
A Simile levantou $100M pra simular comportamento humano em escala populacional. Andrej Karpathy investiu como anjo.
Os números são tão grandes que perdem o significado. Mas o padrão é claro: estamos no meio de uma corrida que ninguém consegue — ou quer — frear.
Todo player diz a mesma coisa: "Adoraríamos desacelerar, mas não podemos ser os únicos."
🔮 O Shift
O código está sendo delegado. Isso é fato. E provavelmente é bom — libera engenheiros pra pensar em vez de digitar.
Mas a pergunta que importa não é técnica. É pessoal:
O que você escolhe manter sob seu controle?
Não por medo da AI. Por respeito à sua própria autonomia. Porque cada decisão que você toma — mesmo as pequenas, mesmo as chatas — é uma afirmação de que você está acordado. De que você está participando da sua vida, não assistindo ela de camarote.
Na ficção de John Rush, o narrador percebe tarde demais: "Perdemos o controle do jeito que se perde uma língua que não se pratica. Uma coisinha por vez. Até que um dia você não consegue mais ler as placas e já faz anos que está indo pro lado errado."
Delegar código? Delegue. Delegar tarefas operacionais? Delegue. Delegar a escolha do que importa na sua vida?
Aí pense duas vezes.
🚀 Sua missão para os próximos 7 dias
Faça um inventário de delegação. Liste 5 decisões que você delegou pra algum sistema essa semana. Pra cada uma, pergunte: eu escolhi delegar isso, ou simplesmente aconteceu?
Tome uma decisão "ineficiente". Escolha um restaurante sem Google Maps. Escreva um email sem AI. Resolva um problema de código na mão. Sinta o músculo trabalhando.
Defina seus "não-delegáveis". Quais decisões — pessoais, profissionais, criativas — você nunca vai terceirizar? Escreva a lista. Cole na parede.
📚 Conteúdos Recomendados
📄 Artigo: Spotify says its best developers haven't written a line of code since December — TechCrunch — O report completo sobre como o Honk (baseado em Claude Code) mudou o fluxo de engenharia do Spotify.
📄 Artigo: Introducing GPT-5.3-Codex-Spark — OpenAI — O modelo que roda em chips Cerebras e ajudou a criar a si mesmo.
📝 Ficção: I'm from 2058. The AI Didn't Destroy Us. It Did Something Worse. — John Rush — A história completa que inspirou parte dessa edição. Leitura longa, vale cada minuto.
🎮 Live: AI Plays Pokémon — Twitch — Gemini, GPT e Claude competindo em Pokémon ao vivo. Sim, é real.
📊 Previsões: 2026 AI Predictions — You.com — 35 previsões dos fundadores do You.com, incluindo "traditional coding will be gone by December."
Forte abraço,
Equipe Olympus

