The Hermes + Obsidian + GBrain Trinity

Obsidian é a mesa, Hermes são as mãos, GBrain é a memória que sobrevive entre sessões, perfis e duas máquinas.

The Hermes + Obsidian + GBrain Trinity

Fala, pessoal. Jonata aqui.

Semana passada o Cyril publicou um artigo que ficou martelando na minha cabeça.

Ele chamou de "The Hermes + Obsidian + Claude Code Trinity", e o argumento é bom:

Uma empresa de conhecimento enxuta não quebra por falta de ferramenta. Quebra porque a pessoa vira o único lugar onde o contexto mora.

Aí chega uma pergunta simples sobre o próprio negócio e você precisa cavar em três apps pra achar a resposta.

Concordo com o diagnóstico. O que me pegou foi que o setup dele para justamente onde o meu começa.

O Cyril usa o Claude Code como cérebro sob demanda, e funciona bem. Mas é um cérebro que só acorda quando alguém chama. No nosso setup essa peça virou o GBrain, e essa troca muda a operação inteira.

Contexto sem endereço é o verdadeiro gargalo

Olhando pra trás, o meu erro não foi usar pouca IA. Foi deixar o conhecimento sem endereço fixo.

O padrão era sempre o mesmo:

  • conversa boa morria no chat;

  • aprendizado ficava preso numa sessão que eu nunca mais abria;

  • agente novo começava zerado;

  • e eu virava o CTRL+C ambulante entre ferramentas.

Hoje a Olympus roda em cima de três superfícies que dividem o trabalho de um jeito claro. Vou mostrar cada uma com o setup real.

1. Obsidian: a mesa onde humano e agente trabalham juntos

Papel no sistema: mesa de trabalho legível, compartilhada por humano e agente.

O Obsidian é a mesa. É onde eu e os agentes escrevemos no mesmo vault, na mesma pasta, com o mesmo CLAUDE.md na raiz dizendo como as coisas funcionam ali.

O Cyril acerta num ponto que eu demorei a engolir: capturado vence perfeito.

Tem pasta de coisa crua e tem a versão curada e linkada. O que move uma pra outra não sou eu retipando nota à meia-noite.

Só que aqui mora uma armadilha. Muita gente trata o Obsidian como "o segundo cérebro".

Eu tratei, no começo, e over-curei tudo: queria que cada nota já nascesse perfeita e conectada. Resultado, parei de capturar porque dava preguiça de organizar na hora, e a pasta ficou linda e vazia.

O vault guarda muito bem. Mas lembrar por conta própria, conectar o que você decidiu há três semanas, digerir de madrugada o que entrou — isso ele não faz.

Pra isso existe a terceira camada.

2. Hermes: a camada onde trabalho ganha papel

Papel no sistema: as mãos que executam, cada uma com um contrato.

Se o Obsidian é a mesa, o Hermes são as mãos.

No Mac local eu tenho 28 profiles rodando. Não são 28 clones do mesmo assistente, são papéis.

No padrão que mais se repete, cada frente de trabalho tem um trio:

  • orquestrador: pensa e distribui;

  • builder: executa uma fatia estreita;

  • reviewer: audita contra uma régua.

Tem esse trio pro coding, pra POC de produto, pra frentes de cliente. E uma família dedicada à newsletter: estrategista, pesquisador, amplificador.

E o papel muda conforme o caso de uso. O reviewer de código não revisa igual ao revisor de newsletter. Um caça regressão e teste quebrado, o outro caça tom de texto e link morto. Mesmo runtime, contratos diferentes.

Isso derruba a fantasia do agente generalista com contexto infinito. Um perfil estreito, com papel definido e fonte de verdade clara, erra menos e audita melhor que um gênio de uso geral tentando abraçar o mundo.

O Hermes é onde o trabalho deixa de ser conversa e vira operação com recibo.

3. GBrain: a memória que não pertence a uma conversa só

Papel no sistema: o cérebro compartilhado que sobrevive fora do chat.

É aqui que o meu setup se afasta do artigo do Cyril.

O Claude Code dele lê o vault sob demanda, pra um agente, e a digestão depende de alguém abrir a conversa. O GBrain trabalha de outro jeito: é a memória compartilhada que os 28 perfis locais e os 7 da VPS podem consultar e alimentar, e que processa sozinho mesmo quando ninguém pediu.

Cada página do GBrain tem duas zonas:

  • Topo: a síntese atual, reescrita quando surge contexto novo.

  • Base: uma timeline que só cresce, evidência que nunca é editada.

Verdade compilada no topo. Histórico bruto embaixo. A busca é híbrida, misturando palavra-chave, significado e reordenação por relevância, tudo rodando local.

Na prática vira o seguinte:

  • um perfil de pesquisa descobre algo às duas da tarde e escreve na timeline;

  • às cinco, o builder de outro projeto lê a mesma página e já sabe, sem prompt, sem copiar e colar contexto.

A memória atravessou o perfil, a máquina e o caso de uso.

Não é mágica, é encanamento. E encanamento é o que segura a casa em pé.

Local e VPS fazem trabalhos diferentes

Mac local = cockpit. É onde eu disparo trabalho e o sistema captura rastro:

  • commit automático a cada 5 min;

  • sync do GBrain a cada 15 min;

  • produção de transcript a cada 30 min.

VPS morpheus = metabolismo. Ela roda enquanto eu durmo. São 7 perfis lá, e o calendário de crons conta a história:

  • transcript vira aprendizado a cada 3 horas;

  • nota velha é reembedada de 6 em 6;

  • um dream cycle às 5 da manhã digere a semana e abre PR no Garden;

  • um health check à noite garante que o cérebro não apodreceu.

O cockpit não pode desligar enquanto eu trabalho. O metabolismo rende mais quando ninguém está olhando.

Separar os dois foi decidir onde cada tipo de trabalho dorme.

Como copiar isso sem copiar o setup inteiro

Você não precisa de dezenas de perfis amanhã. A ideia nunca foi montar minha operação, e sim decidir três endereços:

  • Onde o conhecimento fica legível. Uma mesa, uma pasta, um arquivo que diz as regras.

  • Onde o trabalho ganha papel. Pelo menos um agente que executa e um que audita, com critério de pronto escrito.

  • Onde a memória mora fora da conversa. Um lugar que sobrevive quando a sessão fecha e, de preferência, que processa sem você pedir.

O melhor stack é o que ainda lembra da sua empresa amanhã, mesmo quando o modelo da moda mudar.

Sua missão para os próximos 7 dias

1. Pegue uma pergunta que te fez cavar essa semana.
Alguma decisão sua que você teve que reconstruir de memória. Escreva a resposta numa nota fixa, com data. Esse é o começo da sua timeline.

2. Separe mesa de memória.
Onde você captura não precisa ser onde você lembra. Reserve um lugar só pra síntese durável, nem que seja um único arquivo de "verdade compilada" que você reescreve quando algo muda.

3. Dê um papel a um agente e uma régua.
Em vez de "me ajuda", peça uma coisa estreita, diga o que reprova e exija que ele deixe rastro em arquivo.

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Forte abraço,

Jonata